PATROCÍNIO

  • Petrobras
  • Brasil um país de todos - Governo Federal
  • Lei de Incentivo à Cultura - Ministério da Cultura

AÇÕES

Coleção Voz da Academia

Esta Coleção teve seu inicio no ano de 2000 quando o então tesoureiro da Academia Brasileira de Letras, o poeta Ivan Junqueira, decidiu incorporar às ações literárias da ABL o livro acessível para a pessoa com deficiência visual. De 2000 a 2005, como Secretário Geral e posteriormente como Presidente, Ivan Junqueira autorizou a produção de títulos que foram distribuídos gratuitamente para bibliotecas, audiotecas e instituições destinadas às pessoas com deficiência visual de todo Brasil. Na parceria com a Academia foi possível realizar um produto com boa qualidade técnica, pois havia recurso para que os livros fossem gravados e editados em estúdio. São esses os títulos e autores gravados, e seus respectivos ledores:

  • Esaú e Jacó de Machado de Assis, gravado por Lea Garcia (10 CDs).
  • Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, gravado por Ana Palma (1 CD).
  • A Morte e a Morte de Quincas Berro D‘água de Jorge Amado, gravado por Wania Rocha (2 CDs).
  • Hora e Vez de Augusto Matraga de João Guimarães Rosa, gravado por Sérgio Fonta (2 CDs).
  • Noite na Taverna de Álvares de Azevedo, gravado por Íris Lettieri (3CDs).
  • Iracema de José de Alencar, gravado por Ana Palma (3 CDs).
  • O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá de Jorge Amado, gravado por Ana Palma (3 CDs).
  • O menino e a sombra de Orígenes Lessa, gravado por AnaLu Palma (2 CDs).
  • O menino mágico de Raquel de Queiroz, gravado por AnaLu Palma (3 CDs).
  • As vinte e seis andorinhas de Dom Marcos Barbosa, gravado por AnaLu Palma (1 CDs).
  • Margarida La Rocque de Dinah Silveira de Queiroz, gravado por Lila Maia (6 CDs).
  • Histórias da Meia Noite de Machado de Assis, gravado por AnaLu Palma (6 CDs).
  • Além dos Marimbus de Herberto Sales, gravado por Sérgio Fonta (6 CDs).
  • Poemas de Bilu de Augusto Meyer, gravado por Sérgio Fonta (1 CD).
  • Ritmo Dissoluto de Manoel Bandeira, gravado por AnaLu Palma (1 CD).
  • Branca Bela de Geraldo França Lima, gravado por AnaLu Palma (6 CDs)
  • Reflexos do Baile de Antonio Calado, gravado por AnaLu Palma (6 CDs)
  • O burrinho que queria ser gente de Herberto Salles, gravado por AnaLu Palma (1 CD).
  • O rei, o profeta e o canário de Orígenes Lessa, gravado por AnaLu Palma (1 CD).
  • Os bichos no céu de Odylo Costa Filho, gravado por AnaLu Palma (1 CD).
  • Historia de Caramuru de Viriato Correia, gravado por AnaLu Palma (1 CD).

Oficina de Capacitação de Ledores ou Oficina do Livro Falado

Esta oficina nasceu em 2003 e seu formato vem se alterando graças ao contato com os voluntários que trazem novos questionamentos.

Em sua primeira versão, nas unidades do SESC Rio, era composta por cinco encontros e as gravações eram realizadas em fitas cassetes. No ano seguinte o SESC Rio ampliou a atuação da Oficina e, embora continuássemos com a mesma carga horária, atingimos as unidades de quase todo estado do Rio de Janeiro. Foram cerca de 300 ledores participantes das oficinas patrocinadas pelo SESC Rio. Todos os participantes receberam um exemplar de Livro Falado: Uma história para ler, gravar e ouvir.

Paralelamente, no ano de 2004 a Oficina foi ministrada no Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro, já no seu formato ampliado, com 12 encontros de três horas de duração. Ainda aqui os recursos técnicos eram parcos: continuávamos produzindo os livros em fitas cassetes.

Nos anos de 2005 a 2007 a Oficina foi ministrada na Casa Afonso Arinos e na Fundação Casa de Rui Barbosa, permanecendo a carga horária de 36 horas. O que mudou neste tempo foi a própria maneira de pensar a adaptação do livro, ou seja, o livro em áudio cada vez mais se tornava uma cópia fiel do livro impresso.

Ainda no ano de 2007 a oficina percorreu os espaços da CAIXA Cultural de Curitiba, São Paulo, Salvador, Brasília e Rio de Janeiro, desta feita no formato pequeno: três dias consecutivos de encontro das 10 às 17 horas.

No ano de 2008 a Casa da Leitura, sede do Pró-Ler, abrigou a Oficina, dando a oportunidade da produção de alguns livros já editados de acordo com a nova ortografia. Iniciamos aqui a produção do livro em CD.

Em 2009, além do Colégio Humanitas, na Ilha do Governador, o Centro Cultural Justiça Federal abriu suas portas para a capacitação de novos ledores. Ambos os espaços contribuíram para a modernização da feitura do livro falado, pois dispunham de computadores para a gravação do áudio através de um programa livre, tendo como resultado um livro gravado em CD e não mais em fitas cassetes.

Adaptação do livro em tinta para o áudio

Como não existe ainda uma padronização nacional que oriente na feitura do livro falado, a Oficina de Capacitação de Ledores, no seu formato mais amplo e atual, adota os seguintes procedimentos:

  • Fidelidade ao livro impresso, ou seja, a leitura de todas as partes do livro: capas, orelhas, folha de rosto, ficha catalográfica, expediente, dados sobre o autor, sobre o ilustrador, etc. A estrutura seqüencial do livro falado sofre alterações de acordo com o projeto gráfico adotado por cada livro editado em tinta, por isso, aquele que se candidata a ser um ledor deverá aprender o nome de cada parte que compõe o livro.
  • Ato de soletrar as palavras estrangeiras logo após a sua leitura: para que o ouvinte possa conhecer a grafia correta e para diminuir o constrangimento do ledor, que nem sempre conhece o idioma que aparece no texto, pronunciando, desta forma, de maneira incorreta a palavra.
  • Criação de faixas diferentes para cada parte do livro: o ouvinte pode selecionar as que quer ouvir e tem maior facilidade em retornar ao trecho do texto que lhe convém.
  • Indicação do tempo de gravação nas faixas do texto propriamente dito: o ouvinte pode organizar seus horários para a audição do livro. É indicado que o tempo máximo a ser gravado por faixa seja de quinze minutos.
  • Adoção do formato MP3 por ser menos oneroso, embora o formato wave seja mais acessível.
  • Na primeira faixa do CD é informado que o livro pode ser gravado sem qualquer prejuízo para o autor, pois que a lei 9610 dos Direitos Autorais prevê a adaptação de livros para atendimento às pessoas cegas e com baixa visão, desde que não haja comercialização do mesmo.
  • Na segunda faixa indicamos a mídia que utilizamos.
  • Na terceira, se for um livro infantil, pequeno, leremos a capa; num livro adulto, faremos o sumário, que apenas recentemente está sendo aprendido e adotado pelos ledores. O sumário só pode ser gravado depois que todo o livro estiver pronto, já que nele consta a correlação entre as faixas e as partes do livro. A diferença entre o sumário sonoro e o sumário do livro em tinta é que este é um indicador de páginas, enquanto aquele o é de faixas.

Assim vamos seguindo as partes dos livros, primeiro lendo tudo o que compõe as capas: capa, contracapa, segunda capa, terceira capa, primeira orelha e segunda orelha. Depois passamos para o miolo, seguindo, desta feita, a ordem que se apresenta em cada livro.

Programa de gravação

Além da técnica de adaptação do livro, o ledor aprende a utilizar um programa de computador para gravação e edição da voz. Essa parte é uma deliciosa brincadeira para aqueles que dominam minimamente o computador e seus humores variáveis.

Leitura e voz

O terceiro e último módulo trabalhado na Oficina é com relação à leitura e dicção. Exercícios respiratórios e de relaxamento auxiliam o ledor a entrar em contato com seu corpo e a voz que nele é produzida. Muitas descobertas são vivenciadas nesta etapa, já que a voz acaba, em ultima instância, a exprimir quem é o indivíduo. No tocante à leitura, o participante descobre o que é inflexão, ritmo, pausa, duração, ligação, altura e dicção adequada, testando sua flexibilidade vocal e ampliando sua forma de ler um texto de uma maneira mais agradável e convidativa.

A maioria dos livros aqui disponibilizados foi produzida pelos alunos das Oficinas, ou seja, por pessoas em fase de aprendizado das citadas técnicas utilizadas na feitura do livro adaptado em áudio. Aprender as técnicas e dominá-las exige dedicação e uma disponibilidade de tempo maior do que aquela vivenciada no processo da Oficina. Lamentavelmente, os ledores ficam muito entusiasmados durante o período de aprendizado, mas depois, acabam por abandonar seu oficio de ledor, pois a vida lhes exige outras ações que muitas vezes não comportam o exaustivo trabalho de doação de voz.

O objetivo futuro é qualificar pessoas para o ingresso no insipiente mercado de livros falados.

Vídeo: Oficina de Capacitação de Ledores

Pesquisa de Teatro Inclusivo

Por ocasião do lançamento da Oficina de Ledores no SESC Rio (2003), foi solicitada uma apresentação artística de pessoas com deficiência visual. Aqui se iniciou um instigante trabalho de pesquisa sobre a corporeidade da pessoa que não enxerga, sua instrumentalização para a cena teatral, locomoção artística e a busca de movimentos expressivos.

Quatro jovens cegos e alunos do Instituto Benjamin Constant, já com alguma prática em apresentação de peças, foram ensaiados para que apresentassem um poema. Como tínhamos pouco tempo entre o início dos ensaios e o dia da apresentação optei por criar um jogral, acompanhado em alguns trechos por um violão. Os quatro ficaram lado a lado e de frente para o público. Desta maneira, não ensaiaríamos movimentos, gestos e deslocamentos, apenas a expressão vocal.

Mesmo assim, foram diversas as dificuldades encontradas durante os ensaios. Percebi que eles não dispunham de um acervo gestual mínimo que auxiliasse na intenção das palavras proferidas; que, muitas vezes, as palavras ditas eram contrariadas pelo corpo e pelo rosto; que a ausência do sentido visual implicava na precária projeção vocal; que a não consciência da ocupação do corpo no espaço cênico do palco resultava num imagem pouco harmônica para a platéia.

À base de muitos encontros, a expressão vocal melhorou bastante, contudo a dissociação entre voz e corpo prejudicava em muito a flexão vocal. Entretanto, a recepção calorosa e comovida da platéia me fez pensar em dar continuidade ao trabalho apresentado.

Chegamos, assim, à participação no Festival de Esquetes no Espaço Cultural Sérgio Porto, localizado na Zona Sul do Rio de Janeiro, em 2005. Aqui já não cabia mais a palavra apenas dita, era a vez da palavra encenada.

A introdução do trabalho corporal permitiu um avanço considerável na expressão vocal. Inicialmente tentei compor a cena com movimentos criados por eles mesmos, entretanto, a falta de modelos aprendidos pelo olhar ao longo da vida, não permitia que eles tivessem noção das inúmeras possibilidades oferecidas pelo corpo. Seu gestual ou era inexistente ou muito pobre, sem firmeza e sem contorno definido, abandonado sem que a intenção se sustentasse. Além disso, não possuíam recursos para saber a que distância um estava do outro e qual a qualidade do desenho obtido pela relação entre estes corpos no espaço destinado à encenação.

Diante deste quadro e tentando minimizar as dificuldades encontradas, ofereci meu corpo como um modelo vivo, a fim de que eles copiassem minhas posições corporais. Criei uma partitura corporal que os mantinha ligados um ao outro. Qualquer alteração era efetuada tendo como medida o próprio corpo, ou seja, a distância de um braço.

Concordo que este procedimento é pouco democrático, mas diante do prazo curto e das limitações apresentadas não havia tempo hábil para que eles pesquisassem formas e compusessem sua própria geometria corporal e espacial.

Durante os ensaios, corríamos (comumente os cegos não correm), fazíamos deslocamentos marcados por ritmos, deslocávamos o tronco para a direita e a esquerda, montávamos um caracol, enfim, experimentávamos o corpo para a apresentação no Sérgio Porto.

A noite de estréia foi um marco na vida destes jovens. O alvoroço e o calor da platéia serviam de estímulo e de inquietação para eles no camarim. Com a finalidade de não dar a conhecer ao público a deficiência visual dos atores, todos se apresentaram com macacões pretos e de capuz. O resultado ficou aquém do desejado, entretanto, mais um grande passo havia sido dado e estes jovens estavam mais conscientes de si, de seus corpos e do poder que o movimento tem na vida do indivíduo.

Em 2006, a Funarte, na versão do Programa Arte Sem Barreiras, convidou-me para a apresentação do espetáculo teatral inclusivo e bilíngüe (Português e Libras) do Banquete ao Pic Nic, de minha autoria, em Santos, São Paulo. O elenco foi composto por seis atrizes, quatro videntes, uma cega e uma com cinco por cento de acuidade visual, ou seja, possuidora de visão-subnormal.

do Banquete ao Pic Nic

Foto do elenco do Banquete ao Pic Nic composto por seis atrizes sentadas numa toalha quadriculada azul e branca
D - descrição da primeira foto do Banquete ao Pic Nic)

Foto do elenco com as seis atrizes com o mesmo figurino sentadas sobre uma pedra da gruta do Museu do Catete.
D - descrição da segunda foto do Banquete ao Pic Nic)

O texto fazia um deslizamento sobre o amor. Cada personagem apresentava e defendia conceitos amorosos de Platão, Eric From, Eva Pierrakos e Henry Dummond.

Para investigar o corpo, exploramos umas às outras através do toque, todas as atrizes (videntes e cegas) serviam de modelo e de objeto para a pesquisa das articulações dos braços, pernas, quadril, pescoço, mãos e pés.

As atrizes videntes colavam ao seu corpo ao corpo das atrizes cegas, esta junção corporal permitia que as atrizes cegas percebessem maneiras diferenciadas de utilizar o corpo no espaço cênico, seja com relação à lateralidade, planos e profundidade. Com os corpos colados elas enriqueciam seus códigos corporais.

A atriz com baixa visão chegou a delinear um corpo diferenciado do seu para a personagem, graças não apenas à sua experiência anterior com a dança do ventre, mas também ao resíduo visual de que dispunha.

No caso da atriz que adquiriu a cegueira recém-nascida e, portanto, sem qualquer memória visual do corpo e do espaço, a distinção entre o corpo da personagem e da atriz não chegou a ser totalmente realizada. Mas mesmo assim, ela conseguiu explorar movimentos incomuns e distantes de seus hábitos, inclusive um giro de trezentos e sessenta graus.

Como auxiliar no deslocamento no palco, a toalha do pic nic, elemento cênico da peça, foi criada com bordas roliças, facilmente percebidas pelos pés das atrizes invisuais.

Se no palco os avanços ainda não eram muito definidos, em compensação, na vida diária, ocorreram grandes modificações. Por medo de cair e se machucar, a atriz cega sempre caminhou com os dedos dos pés flexionados, prática que diminuía sua estabilidade e lhe provocava quedas constantes. Além disso, ela nunca havia feito movimentos giratórios com as articulações dos tornozelos, pois não sabia desta possibilidade, guardando, assim, tensões de vários anos. Os exercícios e a busca do apoio para a cena permitiram que ela desenvolvesse um novo estado para os pés. No dia do ensaio em que trabalhamos as articulações, o elenco vivenciou um momento de grande comoção ao presenciar uma verdadeira catarse através do movimento.

Embora muito longe de alcançar a expressividade, os resultados foram surpreendentes, pois ambas conquistavam territórios antes não explorados corporalmente.

As atrizes videntes também experimentavam sentidos diferentes para sua própria forma de contracenar, já que precisavam desenvolver relações em cena com as atrizes cegas não pautadas pelo sentido visual.

Atos no Escuro

As duas experiências anteriores me fizeram compreender que era preciso ir muito além até que a pessoa com deficiência visual alcance sua autonomia e expressividade corporal condizentes com a linguagem cênica.

Que pesquisa empreender a fim de tangenciar as possibilidades de expressão não inscritas no escasso acervo gestual do ator invisual? Que recursos permitiriam ampliar a expressividade? Como ler um corpo circunscrito em sua condição de não vidente? Quais procedimentos a serem adotados e adaptados para dar sentido a uma nova expressão teatral inclusiva? Que recursos de acessibilidade capazes de consolidar sua atuação na cena? Quais meios precisariam ser adaptados para a formação mais ampla deste artista?

Durante dois anos na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) minha pesquisa de Mestrado teve como objetos duas amigas invisuais. Ambas perderam acentuadamente a visão quando jovens, contudo, possuíam memória visual. Ainda assim optei trabalhar os rumos da pesquisa tendo como base a cegueira absoluta.

Escolhi técnicas e investiguei procedimentos de suporte para a desconstrução dos automatismos corporais das participantes e para construção de corpos expressivos a partir da perspectiva da não visualidade. Construí um esquema prático que englobou aulas de bioenergética, Hatha Yoga e a reprodução física de fotografias que abordam a feminilidade.

Por entender que a expressividade corporal é resultado do conhecimento da intricada rede que liga sentimentos e emoções às articulações e músculos, esta pesquisa dedicou-se aos procedimentos anteriores e necessários para alcançar esta capacidade, ou seja, a autopercepção e o autodomínio.

As práticas da bioenergética foram introduzidas a fim de auxiliar na conscientização da couraça corporal a que todos estamos sujeitos e agravada pelo medo de choque com o meio circundante que leva o cego às tensões crônicas que limitam sua flexibilidade. Tanto a respiração limitada como a escassez de energia circulante criam as couraças musculares, impedindo o livre movimento corporal. A prática da bioenergética propiciou uma mobilidade corporal jamais vivenciada pelas participantes e provou ser um meio eficaz para a desconstrução da rigidez corporal para um indivíduo cego que queira atuar na cena.

O segundo procedimento foram as aulas de Hatha Yoga. O Yoga é uma técnica oriental milenar e visa o desenvolvimento global do ser humano e se constitui em cinco caminhos, dentre os quais o Hatha que tem um caráter físico, terapêutico, estético e mental. Sua prática é altamente recomendada para a manutenção da saúde, para o embelezamento, para a quietude mental. Cada postura visa à elasticidade de músculos posteriores e anteriores. Os resultados alcançados pelo estiramento muscular se tornam permanentes, pois o praticante adquire conhecimentos e possibilidades espaciais jamais vivenciados anteriormente. O Hatha Yoga trouxe uma consciência corporal profunda nas participantes, além de permitir que o corpo vivenciasse posições pouco comuns e que elas jamais experimentaram. Além disso, serviu de ponte para o trabalho seguinte de construção do acervo de imagens corporais. Incluir o Hatha Yoga no treinamento de um ator é a garantia de um trabalho muito bem estruturado. Seu mais proeminente defensor é Grotowski e na parte referente ao Yoga serão encontrados exercícios que ele praticou com os atores pertencentes ao seu Laboratório.

O terceiro procedimento foi a construção de um acervo de posturas e posições na memória corporal e mental dos objetos de pesquisa. Uma aluna do Centro de Letras e Artes da UNIRIO atuou como modelo das fotografias selecionadas. O objetivo era dar a conhecer as possibilidades de poses e posturas que o corpo pode assumir, não com a finalidade de uma mera reprodução mimética, mas sim para que elas tivessem um acervo disponível em sua memória no momento da criação das personagens. Sem dúvida, elas ganhariam em qualidade corporal.

Nesta parte da pesquisa iniciou-se o processo de construção corporal que, ainda não sendo exatamente a construção cênica, fornecia elementos preliminares para a composição de personagens e atitudes corporais para a cena.

Para que as participantes tivessem acesso às imagens fotografadas, a modelo assumia a postura e, através do tato, sentido muito desenvolvido na pessoa que não enxerga, elas construíam a idéia da imagem, em seguida, assumiam a posição aprendida pelo toque. Os ajustes finais eram feitos a partir de indicações verbais tanto da postura em si quanto do clima sugerido pela foto. Este procedimento não deixa qualquer dúvida da eficácia de sua aplicação e o resultado foi o alcance da expressão corporal, ainda que copiada, mas já investida da particularidade de cada uma delas.

O quarto e último procedimento foi a construção da cena Atos no Escuro, um ensaio fotográfico, em que uma participante captura a imagem da outra. Nesta cena, as atrizes colocaram em prática os conhecimentos corporais adquiridos.

Para dar suporte ao trabalho prático, alunos do Núcleo de Formação de Professores da UNIRIO participaram da Oficina de Capacitação de Ledores e construíram um acervo de livros técnicos sobre o teatro e o trabalho do ator, privilegiando alguns dos mais proeminentes pensadores teatrais.

Matéria do Jornal Visual:

Acervo: A Voz do Ator Vidente: O Caminho Sonoro para o Ator com Deficiência Visual:

  • O teatro e seu duplo de Antonin Artaud, gravado por Alexandre Rudah
  • Além das Ilhas Flutuantes de Eugenio Barba, gravado por Inny Bello
  • O teatro de Meyerhold de Aldomar Conrado, gravado por Jarbas Abuquerque
  • Ator e método de Eugene Kusnet, gravado por Luli Burdman
  • Iniciação ao Teatro de Sábato Magaldi, gravado por Ludmilla Marinho
  • Construção da Personagem de Constantin Stanislavisk, gravado por Mariana Cruz e Marcelo Asth
  • Para o Ator de Mikhail Tchekhov, gravado por Lucas Nascimento

Criação de Audiotecas

Em 2005 O PROJETO LIVRO FALADO duplicou seu acervo e doou livros de Ziraldo, Pedro Bandeira, Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Sílvia Orthof, entre outros, para a biblioteca Popular da Tijuca. Assim nasceu a Audioteca Geraldo França de Lima, escritor brasileiro, pertencente à Academia Brasileira de Letras. São 300 livros falados disponíveis para crianças e jovens cegos.

Endereço: Rua Guapeni, 61 – Tijuca, Rio de Janeiro - RJ
Telefone: 55 21 2569 1695

A biblioteca do Centro Cultural Justiça Federal está montando um acervo de livros falados a partir dos livros produzidos nas seis Oficinas de Capacitação de Ledores. Como a biblioteca se situa no Centro do Rio de Janeiro, o acervo é para adultos com deficiência visual. O usuário poderá ouvir os livros na sala de leitura da instituição.

Endereço: Avenida Rio Branco, 241 – Cinelândia, Rio de Janeiro - RJ
Telefone: 55 21 3261 2577

Campanha Me Põe na Fita

O PROJETO LIVRO FALADO criou uma campanha para a doação de fitas cassetes, a fim de que o ledor dispusesse de material para a gravação de livros. Foram arrecadados fitas e CDs virgens nas seguintes instituições: Colégio Cruzeiro, Caixa Econômica Federal, SESI.

Ainda hoje os interessados que quiserem doar mídias virgens são bem-vindos.

PROJETO LIVRO FALADO - AnaLu Palma

Rio de Janeiro Brasil - e-mail:contato@livrofalado.pro.br

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Desenvolvimento: Acesso Digital